domingo, 28 de março de 2010

CALCINHAS -string

Calcinha.

Cores, tipos, modelos, formatos e tudo mais que essa peça, essencial na vida feminina, pode oferecer.

Outro dia na loja em que eu compro , onde a minha vendedora já contribuiu e muito para a minha evolução neste item, havia uma outra cliente.

Ela estava comprando varias para ela, filhas e um presente para uma pessoa careta.

Não tive duvida.

_ De uma vermelha bem sensual, você vai ajudar e muito o casamento dela.

Argumento daqui , dali e ela acatou.

Sim porque no fundo a alma de puta é inerente a mulher. Mesmo que inconsciente.

Ela precisa acionar este lado vez ou outra. Para isso tem que haver alguém apra nos impulsionar. Quando você ganha de presente, não tem erro. A desculpa para você mesmo é que você ganhou, não foi você que comprou. E ai para vestir é um pulo.

Pulão, pois antes vai experimentar algumas vezes em frente ao espelho do banheiro trancado e conferido a porta 2 vezes.

Mas vai colocar, e ai ..... sem que a pessoa que deu o presente jamais saiba, o sorriso no rosto vai estar mais presente a esta careta convicta.

Ponto para quem da presentes assim.

Ponto parágrafo.

Analisando a calcinha.

Utensílio que começa grande, aí de acordo com a sua evolução no setor sexual, ela pode diminuir ; na velhice acredito que volte a aumentar.

Enfim, o ponto em questão não é o que vai acontecer depois, mas o que já aconteceu nas nossas noites passadas.

Quem já não ficou fazendo poses a espera dele............... e ele nada.

Perna para cá,

uma ajeitadinha na lateral,

uma arrumada na gordura que era camuflada com uma leve ponta de lençol, pseudo displicente na lateral da cama.

Respiração para encolher a barriguinha no momento da entrada dele no quarto.

A mão no lugar certo para omitir um a mais, que o dôce de ontem e anteontem ainda não cederam.

Enfim, quem??

Diga-me???

Quem nunca olhou para um espelho no teto de motel , estou dizendo sozinha mesmo, enquanto ele estava no banheiro.

Aquele reflexo ali, de você com você, se perguntando qual imagem daquela você se identifica mais .

Qual delas diz mais sobre você.

Que trás o seu lado mais mulher .

Que tipo de mulher?

Qual mulher optou por ser ali?

Bem, vamos lá nas calcinhas, mas aproveitando a imagem do espelho.

O dia em que resolvi colocar uma calcinha string pela primeira vez.

Porque tudo tem uma primeira vez na vida, ah se tem!

Este dia obviamente não foi uma decisão isolada e espontânea .

Ele veio no momento em que você constata que a pessoa que esta te acompanhando, o parceiro da questão , olha para a bunda de uma mulher porque ela esta com uma calcinha cravada no meio da bunda com um vestido justo, transparente .

É queridas, tem homem grosseiro suficiente para olhar, mesmo estando com vc do lado, não se iludam.

Eles olham.

A partir desta olhada, que me decepcionou muito, tomei uma atitude.

Não digo que tenha sido a certa, pois hoje tenho certeza que a correta teria sido deixar o individuo lá olhando para a bunda da garçonete.

Mas eu resolvi mesmo foi comprar uma calcinha e ver o efeito.

Posso dizer que é terrível.

Se não esta com tudo em cima , não enverede por este caminho.

Para usar uma , o todo tem que estar perfeito, caso contrário a emenda fica pior que o soneto.

Podem imaginar a calcinha ali, calcinha não, o projeto dele, aquele fio incomodo que alguém inventou, dizendo que seria sexy, com as celûlas ( abreviação simpática para a dita cuja mesmo ((( celulite)))) não , só tendo noção do ridículo.

Definitivamente isso não foi uma boa decisão.

Agora posso dizer que quando ela aparece junto com a calça jeans, vestida é claro, acho ate interessante.

Mas depois da musica ça m’ enerve…. Calcinha string virou sinônimo de brega.

Bem, esse papo todo começou para eu perguntar de novo:

_ Quem já não ficou deitada ensaiando a melhor posição?

E assim eu escutei outro dia uma bela historia da minha manicure:

Um dia , especial, camisola de oncinha, calcinha combinando. Daquelas mesmo que eu disse acima. Fio dental.

O marido sai para comprar a pizza e ela na cama esperando. Ele liga e diz que vai demorar um pouco pois a pizza esta no forno.

Ok, ela ali na cama esperando.

Pose daqui, lençol estrategicamente la.

Uma virada de perna para direita, ajeita daqui .

E respira .

E descansa.

Ouve um barulho na porta ( pensa que ele esta chegando ) e volta para a posição sexy.

Alarme falso.

Descansa de novo.

E liga para ele.

E ouve barulho.

E nada.

Ate que 1hora e 45 minutos depois, nada dele.

A tal da saideira na pizzaria entrou noite a dentro.

Ai ela conta:

_ No dava mais , aquela calcinha me partindo ao meio e ele nada, quando chegou eu já estava de cacinha, ou melhor com uma cueca. Camisolão e ponto final.

Não preciso nem dizer que o tal do marido, virou ex.

Nas tentativas de retorno dele este dia sempre foi lembrado, e ela hoje, feliz com outro que consegue dar atenção a camisola de oncinha com a calcinha partindo ao meio.

Bem, não tem outra sensação: A calcinha string entra como uma faca e só vem confirmar a minha máxima.:

Mulher para estar bem vestida, arrumada ou Linda e maravilhosa…. Tem alguma coisa incomodando.

Da calcinha ao grampo.

Sempre tem.

Agora se ele vale a pena…. Invista com o melhor que a sua imaginação conseguir.

Ainda é muito bom!

sexta-feira, 26 de março de 2010

cabelos

Sei que ainda não escrevi, mas amanhã finalizo.
Agora o outro assunto que está por vir.... vai dar o que falar.
sábado, 20 de março de 2010

Cabelos

Vou falar sobre este tema no fim do dia.
Se voce pensa que pode ser normal acordar, pentear, lavar e secar.
Engana-se.
Este ítem pode ser um fator preponderante na vida de uma mulher.
De costas então rende.....
Me aguardem.
segunda-feira, 15 de março de 2010

Programa de índio

Uma mulher que se preze já passou por um programa de índio.
Uma mulher guerreira já encarou inúmeros.
Uma mulher insana, é a chefe da tribo....

Acho que na adolescência somos nós que criamos esses programas. Fantasiamos eventos maravilhosos, a pseudo possibilidade de esbarrarmos com aquele Deus grego que platonicamente idolatramos.
Sabe o tal amigo do primo do ficante da sua melhor amiga?
Por conta dessas roubadas,  várias adolescentes um dia já se meteram num verdadeiro programa de índio.
Eu confesso que entrei em alguns, não por Deuses gregos imaginários, mas por irmão de amiga mesmo.
Mais tarde , quando poderia ter entrado em vários outros, o casamento cedo e a maternidade aos 22 me salvaram.
Ou transferiram o tema do programa de índio , melhor dizendo.
Posso não ter entrado em situações ridículas que amigas contavam no pilotis da Puc, mas em compensação a programação infantil dos fins-de-semana eram imbatíveis.
Aeroporto em Belo Horizonte para ver acrobacia aérea,
shows bregas públicos,
corrida de moto na qual vc so ouve um : zummmmm, zummmmmm, zummmmm a cada minuto e nao consegue enxergar nada no meio de tanta poeira. ( era em estrada de terra, eu ficava no morro, numa cadeira de praia improvisada, um calor de bode, criança chorando...... )
Ballet com criança??? vários. ( vale dizer que tenho filhos homens, levava ao ballet ou a show pois acreditava na educação cultural infantil , acredito até hoje, o único problema é que isso causa quase que sequela na criança se for mal administrado, por pouco eles 'não passaram a odiar qualquer coisa relativa a cultura. Mas sem dúvida,  desconfiam  até hoje das minhas idéias de programa inusitado)
Bem,  filho cresce, a gente se separa, e novos programas de índio são passíveis de vir a minha cabecinha.
Dentre vários desses, as viagens zen são imbatíveis.
Convido sempre meus filhos , o máximo que consigo neste quisito é um:
_Boa viagem mãe. Avisa quando chegar.
Ok, já me acostumei com esta solidão indígena.
Até que me pego na contramão da vida, com alguem que no escuro , pega meus programas de índio.
Uma ida a Hipica para ver uma prova de salto de ..... 80 centimetros.
Yes 80!
Sei que é ridículo , a altura é um nada, tenho sobrinho que diz que até o cachorro do Sítio salta mais alto, mas enfim, para quem começou tarde no esporte tem que começar por alguma altura.
Isso para não dizer que entrava antes nas provas de 60.
Agora quando eu falo na altura de 80 cm, sempre faço a seguinte observação:  é mais alto do que a sua mesa de jantar.
Não é barbaro?
Já logo dou uma valorizada na altura.
E é mesmo.
Agora deu um certo glamour né??
É,  mas isso só para quem não monta, pois para qualquer pessoa que sobe num cavalo sempre, sabe que é ridiculo!
Sou ridícula, e quem nunca foi.... ou é?
Bem, voltando ao programa de índio.
Avisei ao namorado que haveria a tal competição. Prova de ranking, Federação.
Eu queria muito ir, quem me conhece sabe que sou fominha de prova.
Ele no ímpeto de agradar e talvez me ver montando disse que iria.
Aliás foi mais que isso, ele realmente queria acompanhar tudo.
Porque eu avisei que era cansativo, que gostava de chegar bem  antes, pois  ele poderia chegar mais na hora da minha entrada.
Não consegui demove-lo.
Plano B.
Convidei a filha dele, uma pessoa linda que só havia visto uma vez.
Pela energia dela sabia que estava entrando num terreno conhecido, acho que estava no olhar.
Coisa de mesma tribo, sabe?
Nisso eu acertei.
Ela concordou. Ela foi e deu um suporte ao pai e eu pude relaxar.
Estava a beira de um ataque de nervos, ansiedade da prova, dos 80, do ranking e também do new boy friend.
Bem, como podem observar, não só carreguei um , mas dois para um baita programa de índio.
Confesso que no final foram 4, pois arrebatei mais pelo caminho.
Essas santas criaturas ficaram de 10 da manha até às 3 e meia aguardando a hora de eu entrar na pista.
Claro que a tensão e a cobrança interior duplicaram.
Já imaginaram se na hora eu desisto?
O cavalo refuga?
Faço falta ?
E se fosse ao chão então??
Na dúvida alertei que micos faziam parte da cena e que eu estava pronta para pagá-los.
Leitores, isso nao aconteceu.
Saltei bem, não derrubei nenhum obstáculo, zerei a pista!
Não ganhei.... mas não estava atrás desta vitória.
A melhor delas estava dentro de mim e essa eu conquistei.
Bem, como vêem a louca aqui é capaz de colocar em início de relacionamento, a pessoa querida na maior roubada.
Todos sobrevivemos.
Mas vale ressaltar que eu avisei antes.
Alertei bem.
Não era para fazer integral. Só parcial.
Mas afinal como aprendi um dia :
Programa de índio quando vc se vê nele.... vá até o final.
Um dia voce ainda vai rir dele e lembrá-los como uma grande prova de amor.
quinta-feira, 11 de março de 2010

Fácil? nada é.

Um dia depois do outro.
Preciso escrever, o que nos conforta nos cala. 
A eterna inquietude nos instiga a falar, a viver.
Já venho falar.
quarta-feira, 3 de março de 2010

Homens - frases

Nós mulheres não precisamos de frases avulsas , ditas em roda de homens, para decifrarmos este sexo oposto.
Voltarei aqui depois para falar mais sobre isso.
Agora o que sei é que nada foi proposital, retirei o texto que aqui estava pois a pessoa que havia dito a frase que por sua vez , escutou de outro... 'não se sentiu a vontade quando leu.
Esta pessoa é preciosa para mim e não quero que um texto do blog sirva de instrumento para melindrar uma amizade.
Pronto.
Texto deletado.
Depois volto.
Homens....
Falam, mas não gostam de ser avaliados.
Nós , aqui estamos. Sempre prontas para nos desnudar.
Em todos os sentidos.
Fica para próxima!
segunda-feira, 1 de março de 2010

Tempo


O tempo cria novos conceitos.
Muito se fala do tempo, muito se escreve sobre o tempo.
Nós sentimos o tempo.
Nós vemos ele passar? 
Nós cedemos passagem para ele quando nada nos encanta.
Nós desmembramos o tempo , quando tudo nos seduz.
Aumentamos o tempo .
Nós atravessamos o tempo e 
sobre o tempo nos deixamos levar.
O tempo por vezes cura,
por vezes distancia,
por momentos aproxima...
Quando remédio , parece eternidade,
mas quando nos curamos nem lembramos do que foi.
Quando chega o novo tempo , o tempo cresce e se torna matéria.
Ele, o tal do tempo.
Nada é .
Se tem estudo sobre sua relatividade uma coisa é certa.
Ele é conceito.
Ele não existe.
O tempo é somente o que fazemos dele,
o que aproveitamos dele.
O tempo são nossas atitudes,
o tempo somos nós.
O tempo é voce .
O tempo sou eu, 
a cada dia com o nosso dia, fazendo o melhor ,
do nosso tempo.

Felizarda e o tempo

Minha blusa vermelha ou

ela se chama Felizarda.

 

 

Felizarda, para mim D. Felizarda.

Um olhar cativante que traz junto,  uma serenidade sem fim.

Na boca um sorriso franco e puro, os dentes se perderam no tempo, o que imprimi mais charme e carinho ao sorrir.

 

A primeira vez que eu a encontrei , ela estava no meio de outras vinte. Eu a elegi a minha preferida.

 

Foi assim que começou nossa história. Sem cobranças ou questionamentos.

 

Sem hora marcada ou compromissos.

 

A cada passagem por lá, o que passou a acontecer uma vez por mês , eu parava para levar alguma coisa.

 

Seu passatempo é fazer tapete de fuxico, sentadinha na sua cama, entre retalhos de malha e uma base de saco de ração , toquinha na cabeça , ela, com a ajuda de uma tesoura, vai tramando seu tapete.

Vai tramando seu tempo.

Eu perplexa de ver a habilidade com as mãos quero logo ajudar, pergunto se é para vender .

_ 10 reais. Ela responde.

Quero então levar esse.

_ Esse não pode ainda, não esta pronto.

Insisto que quero assim mesmo, esta ótimo como está, aquela mania de querer ser útil, prestativa.

_ Não, esse assim não pode, só quando acabar.

Um relâmpago de magnitude me invade e eu passo a entender.

Levar um tapete inacabado, era levar horas de ocupação. Como eu poderia pensar que estaria ajudando-a , comprando o tapete sem terminar.

O que ela faria , ainda mais que aquela era a ultima base que ela tinha com ela. Mais importante do que dez reais, é o tempo que ela gasta fazendo aquele tapete.

Sua vida esta impressa nas cores daqueles retalhos.

Faço questão de dar os dez reais e deixo então aquele tapete reservado para mim.

 

Numa outra visita para pegar o tapete, aquele já tinha ido embora para uma outra pessoa.

Não faz mal. Na verdade ela nem se lembrava que eu tinha reservado. Nem comentei.

 

Por outra ocasião levei uns sacos para que eu tivesse certeza de que estaria levando para ela Vida.

Sempre aquele sorriso , sua pele escura com rugas revelando uma idade avançada onde o tempo tem sido generoso.

 

Outra visita e pergunto o que poderia agrada-la. Queria levar o meu carinho mas também ser uma ponte para o mundo aqui fora e com muita humildade ela me pede meias, mas se não for atrapalhar.

 

Claro que não atrapalha D. Felizarda.

 

Com o tempo me acostumei a sentar na sua cama, fazer carinho e  enche-la de beijos.

Muitos beijos para que sempre tivesse a certeza de que eu não me incomodo de beija-la.

 

Entrava e ia direto para o seu quarto.

 

Nada mais sabia sobre ela. Nem ela de mim.

 

 

Um dia , já cansada, na volta do trabalho a pessoa que dirigia para mim me perguntou se iríamos passar por lá.

Eu nem sabia que , onde estávamos,  era o caminho da D. Felizarda. Estava querendo ir para casa, aleguei que já era tarde e  que não tinha nada para levar para ela.

Ele insistiu, nem sei porque pois ele nem conhece D. Felizarda, mas quando ele me lembrou que o mais importante eu já tinha para da-la eu concordei em parar.

 

E foi nesse dia que aprendi com ela.

 

Cheguei já me desculpando pois estava ali somente para um beijo. Ela estava a voltas com sacolas.

Abria e fechava, procurava uma roupinha para colocar na boneca que ganhara há dois dias.

 

Uma boneca loura, bonita ainda,  apesar de já ter emprestado seus melhores momentos para alguma criança. O único problema era que estava sem roupa.

D. Felizarda depois de algumas sacolas, encontrou uma bata e uma calça de bebê que serviu feito uma luva na boneca. Vesti-a e pus num carrinho de boneca em cima da poltrona que eu estava.

No seu quarto tem duas camas, duas cômodas, uma poltrona, um ventilador , uma televisão , uma lata de lixo e sacolas. Muitas sacolas.

E foi numa dessas sacolas que ela achou uma blusa vermelha.

Enquanto eu explicava que não tinha nada para lhe dar pois não esperava passar por ali, ela pegou a blusa vermelha de linha e me deu.

D. Felizarda já estava há alguns minutos a procura da minha blusa vermelha.

Ela dissse.

_ Vai ficar linda em você.

Meu primeiro impulso foi agradecer e devolver. Uma lucidez caiu sobre mim . Agradeci, sorri e aceitei , tks god! Não poderia cometer a desfeita que estava  prestes a fazer. Recusar um presente vindo com tanto amor.

Eu me achando... eu que pensava que estava  levando para ela alguma coisa, e ela , D. Felizarda  me mostrando como ser feliz.

 

Quando ela me disse que estava contente com minha visita inesperada, eu contei a historia de que quase não iria la se não fosse o Carlinhos que trabalha comigo.

 

Ela sem titubear me disse:

 

_ Fala para o seu motorista que a D. Felizarda mandou um beijo para ele.

Ela não é disso, eu não disse quem ele era e assim sai de la pensativa e intrigada.

 

Como pode ver a vida la fora sem nem olhar de uma janela.

 

Ah propósito seu quarto não tem janela. É grande, arejado , mas sua vida é do banheiro , quarto, quarto, banheiro.

 

Tapete, malha, tesoura, sacolas.

 

Num outro dia onde o calor tomava conta da  cidade, encontrei- a um pouco apática e ela me disse que era o calor. Um ventilador no teto não dava vazão a falta de vento.

Mas sobre a cômoda tem  um ventilador.

_Posso ligar aquele ventilador???

_ Não,  tenho que limpa-lo antes.

_Mas eu posso limpar.

_ Não,  mas depois de limpar ele tem que ser consertado.

_D.Felizarda, ele não funciona???

E então prometi levar um na próxima visita.

Com muito carinho na voz, sentada em volta de retalhos e com um tapete a caminho ela sugeriu  que eu então aproveitasse que o natal e seria o presente de Natal.

Até poderia D. Felizarda, mas o ventilador, vai segunda-feira que vem.

Até o Natal quero ainda fazer muitas visitas.

Até o Natal quero ainda te encher de beijos , descobrir o que te faz feliz.

 

Agora para você saber D. Felizarda.:

Feliz tenho ficado , ao descobrir que a minha  visita, fora as de domingo quando o hospital recebe o carinho de algumas congregações que vão levar amparo aos doentes, é tão importante para você .

 

Feliz tenho ficado ao aprender com a senhora que podemos, ao nos chamarmos Felizarda , transformamos problemas em soluções , retalhos de malha em pedaço de tempo.

E assim vamos driblando a vida e distribuindo sorrisos, serenidade, carinho e camisa vermelha.

Obrigada por me fazer receber quando fui dar.

Obrigada por ser Felizarda, mesmo que morando  há tantos  anos na colônia Tavares de Macedo, em Venda das Pedras no ambulatório da Hanseníase.

Um beijo neste rosto lindo e nas suas mãos que entrelaçam os tapete, que um deles enfeita minha vida.

 

 

 

 
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