Hoje fui à Puc para entregar um papel, fazia muito tempo que não passava por lá na parte da tarde.
Bem, era de manhã na verdade.
Até chegar ao estacionamento inúmeras barraquinhas de comida, vários pipoqueiros e afins ... pelo meio do caminho dificultavam a passagem.
Muitos jovens.
Muitos.
As meninas cabelos compridos, calça baixa, cigarro na mão.
Os meninos, metade em terno, a outra metade , de cabelo encaracolado e mochila largadona nas costas.
Quanto a isso nada muda, tirando o corte dos cabelos.
Na entrada ao passar por uma porta pequena, ao lado da passagem de carro, que hoje dois porteiros fazem o controle com uma fiscalização muito maior que antigamente... Vejo 3 meninos com diferentes flyers ( acho que é assim que se escreve ) na mão distribuindo .
Primeiro sinal da idade transparecendo no rosto...
Eles me deixaram passar ilesa.
Mas por que ?
Eu sou daquelas que andam pelo centro da cidade com a mão estendida só para aliviar os entregadores de filipetas.
Abro a janela do vidro do carro e pego todas as publicidades do sinal para poder dar uma força ao entregador .
Quando era pequena (a própria historia vai entregar isso, pois hoje em dia não existe mais essa lei) era obrigado a passar no cinema uma produção meio que independente de um curta brasileiro, antes do nosso filme em questão . Acho que era uma maneira de prestigiar o nosso pessoal. Deu certo, né ?
Hoje nossos filmes são maravilhosos.
Bem eu assisti a um que era a história da mulher no sinal. Ela distribuía publicidade , se não estou esquecida, dessas de prédio em lançamento . Bem, o curta era fraco, mas no enredo me recordo de ver que a mulher não podia dar varias publicidades para uma pessoa só, existia uma vigilância . Tinha um homem que passava de carro, como se fosse qualquer pessoa parando no sinal, para dar incertas. Desconhecia isso.
Foi neste instante que passei a valorizar esses entregadores e nunca mais recusei nenhuma propaganda.
Pode ser de tudo, mãe de santo, despacho, promoção de cabeleireiro, roupas , gráfica, recarga de tinta pra impressora e até uma que peguei outro dia na Rua São Jose, no Centro da cidade , no Rio de Janeiro, com nomes de coisas que nem sabia que existiam.
Era uma propaganda erótica com promessa de sexo eterno. Anel 3 DP????
Boulett???? E por aí ia. Ao chegar no trabalho tive que fazer uma enquete até saber do que se tratava.
Descobri o significado.
Foi ai que comecei outra enquête.
Quem , tipo minha geração , sabia realmente todas as palavras do anúncio?
Só sosseguei ao constatar que não era a única. Tirando os mais jovens, e claro , os espertinhos, ninguém conhecia aqueles termos ou objetos....
Para vocês terem uma idéia demorei muito até identificar o que era a foto da propaganda.
Que alias era mínima. A foto era um “closed “ de uma mulher com a mão dentro da calcinha. Confesso que até me alertarem para isso, achei que era uma imagem digital de montanhas estranhas. Sei lá ! Nem me atentei a foto, estava tão impressionada com a minha total falta de cultura no assunto que fiquei mais chapada ainda ao identificar calcinha, mão, corpo e tal...
Voltando as filipetas, eu então sou a rainha de pegá-las. Como observaram, qualquer uma!!!!
Faço já naturalmente, ato de caridade. Nada mais.
Voltando mais um pouco ao texto acima. .....Rewind
Estou de novo na entrada do portão da Puc , lembra? Aquele que não é de carro.
3 jovens destribuindo papéis, hoje em dia eles chamam de flyers.
Fui ignorada.
Como posso ter sido assim , na lata, ignorada pelos 3!
Porque era diferente um do outro. Como eles sabiam que eu não me interessaria pelo assunto em questão. Ou eram eles que não queriam que eu participassem do assunto deles....???????
Os próximos passos que dei a seguir me conduziram a realidade da idade. 43 .
Deve estar na cara mesmo.
Fui subindo em direção ao prédio Kennedy, o meu prédio, afinal estudei naquela faculdade, naquele prédio. Fazia parte dele.
Ao pisar no Pilotis uma multidão .
Podem me dizer que era o intervalo da aula , que todos os alunos resolveram no dia de hoje se encontrar ali. Não sei. Sinceramente o que vi foi uma multidão .
Meus ouvidos ouviam uma musica da freqüência jovem. Não era musica de radio, era o burburinho das vozes . De muitas vozes. Assim como dizem que o Universo possui a música das estrelas.
O vazio e o todo.
Assim era o pilotis neste dia.
O som era a confusão da conversa e a soma disso, resultou na música dos jovens .
Agora para amenizar a péssima sensação do desprezo dos 3 da porta , só mesmo a energia que inundou meu ser . Atravessei aquele pilotis me enebriando de tanta energia. Posso dizer que ao chegar do outro lado estaria pronta para receber inúmeras filipetas.
Foi mal.
Flyers!

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