Uma mulher que se preze já passou por um programa de índio.
Uma mulher guerreira já encarou inúmeros.
Uma mulher insana, é a chefe da tribo....
Acho que na adolescência somos nós que criamos esses programas. Fantasiamos eventos maravilhosos, a pseudo possibilidade de esbarrarmos com aquele Deus grego que platonicamente idolatramos.
Sabe o tal amigo do primo do ficante da sua melhor amiga?
Por conta dessas roubadas, várias adolescentes um dia já se meteram num verdadeiro programa de índio.
Eu confesso que entrei em alguns, não por Deuses gregos imaginários, mas por irmão de amiga mesmo.
Mais tarde , quando poderia ter entrado em vários outros, o casamento cedo e a maternidade aos 22 me salvaram.
Ou transferiram o tema do programa de índio , melhor dizendo.
Posso não ter entrado em situações ridículas que amigas contavam no pilotis da Puc, mas em compensação a programação infantil dos fins-de-semana eram imbatíveis.
Aeroporto em Belo Horizonte para ver acrobacia aérea,
shows bregas públicos,
corrida de moto na qual vc so ouve um : zummmmm, zummmmmm, zummmmm a cada minuto e nao consegue enxergar nada no meio de tanta poeira. ( era em estrada de terra, eu ficava no morro, numa cadeira de praia improvisada, um calor de bode, criança chorando...... )
Ballet com criança??? vários. ( vale dizer que tenho filhos homens, levava ao ballet ou a show pois acreditava na educação cultural infantil , acredito até hoje, o único problema é que isso causa quase que sequela na criança se for mal administrado, por pouco eles 'não passaram a odiar qualquer coisa relativa a cultura. Mas sem dúvida, desconfiam até hoje das minhas idéias de programa inusitado)
Bem, filho cresce, a gente se separa, e novos programas de índio são passíveis de vir a minha cabecinha.
Dentre vários desses, as viagens zen são imbatíveis.
Convido sempre meus filhos , o máximo que consigo neste quisito é um:
_Boa viagem mãe. Avisa quando chegar.
Ok, já me acostumei com esta solidão indígena.
Até que me pego na contramão da vida, com alguem que no escuro , pega meus programas de índio.
Uma ida a Hipica para ver uma prova de salto de ..... 80 centimetros.
Yes 80!
Sei que é ridículo , a altura é um nada, tenho sobrinho que diz que até o cachorro do Sítio salta mais alto, mas enfim, para quem começou tarde no esporte tem que começar por alguma altura.
Isso para não dizer que entrava antes nas provas de 60.
Agora quando eu falo na altura de 80 cm, sempre faço a seguinte observação: é mais alto do que a sua mesa de jantar.
Não é barbaro?
Já logo dou uma valorizada na altura.
E é mesmo.
Agora deu um certo glamour né??
É, mas isso só para quem não monta, pois para qualquer pessoa que sobe num cavalo sempre, sabe que é ridiculo!
Sou ridícula, e quem nunca foi.... ou é?
Bem, voltando ao programa de índio.
Avisei ao namorado que haveria a tal competição. Prova de ranking, Federação.
Eu queria muito ir, quem me conhece sabe que sou fominha de prova.
Ele no ímpeto de agradar e talvez me ver montando disse que iria.
Aliás foi mais que isso, ele realmente queria acompanhar tudo.
Porque eu avisei que era cansativo, que gostava de chegar bem antes, pois ele poderia chegar mais na hora da minha entrada.
Não consegui demove-lo.
Plano B.
Convidei a filha dele, uma pessoa linda que só havia visto uma vez.
Pela energia dela sabia que estava entrando num terreno conhecido, acho que estava no olhar.
Coisa de mesma tribo, sabe?
Nisso eu acertei.
Ela concordou. Ela foi e deu um suporte ao pai e eu pude relaxar.
Estava a beira de um ataque de nervos, ansiedade da prova, dos 80, do ranking e também do new boy friend.
Bem, como podem observar, não só carreguei um , mas dois para um baita programa de índio.
Confesso que no final foram 4, pois arrebatei mais pelo caminho.
Essas santas criaturas ficaram de 10 da manha até às 3 e meia aguardando a hora de eu entrar na pista.
Claro que a tensão e a cobrança interior duplicaram.
Já imaginaram se na hora eu desisto?
O cavalo refuga?
Faço falta ?
E se fosse ao chão então??
Na dúvida alertei que micos faziam parte da cena e que eu estava pronta para pagá-los.
Leitores, isso nao aconteceu.
Saltei bem, não derrubei nenhum obstáculo, zerei a pista!
Não ganhei.... mas não estava atrás desta vitória.
A melhor delas estava dentro de mim e essa eu conquistei.
Bem, como vêem a louca aqui é capaz de colocar em início de relacionamento, a pessoa querida na maior roubada.
Todos sobrevivemos.
Mas vale ressaltar que eu avisei antes.
Alertei bem.
Não era para fazer integral. Só parcial.
Mas afinal como aprendi um dia :
Programa de índio quando vc se vê nele.... vá até o final.
Um dia voce ainda vai rir dele e lembrá-los como uma grande prova de amor.
segunda-feira, 15 de março de 2010
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6 comentários:
Elisa,
delicioso o seu relato!
Agora já sei quem posso convidar para um programa ZEN! Que surpresa boa!
Aviso logo: Estou pronta pra outra!
Beijos
Fernanda
Obrigada pela passagem por aqui, sempre adoro saber que alguem lê.
Programa zen? Estarei sempre a postos.
Já os de índio..... só para pagar a dívida.
Beijo grande
Elisa
Foi esse fim de semana que passou? Parabens por zerar a pista...
Obrigada Joao.
Que pena que vc não os levou tb para asistir a prova de adestramento que estava rolando no mesmo dia, ai sim eles estariam com o cocar, apito e tambor. Eu estava lá e adorei minha prova tb, não acredito que perdi sua pista, estaria torcendo , parabens mesmo assim!!!!
E voce Albinha? Brilhou linda na pista Roberto Marinho?
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